Sobre o projeto:

A frequência da chegada de novas drogas no mercado ilícito do estado de São Paulo vem aumentando. Este é o cenário atual: laudos isolados na polícia, casos clínicos nos hospitais e dados desconexos.

Até agora, os dados obtidos de apreensões, assistências médicas e pesquisas não estão centralizados. O Laboratório de Toxicologia Analítica da UNICAMP e a Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC-SP) acaba de lançar uma resposta integrada: o NSP-Monitor, um projeto em políticas públicas financiado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

A iniciativa é a primeira em escala estadual que conecta três fontes simultaneamente: apreensões policiais, análises químicas forenses e registros de intoxicações. Como resultado espera-se a apresentação de um dashboard que permita gestores de segurança e saúde identificar tendências emergentes, padrões geográficos e contextos criminais associados.

Entre 2014 e 2017, o Brasil identificou mais de 100 Novas Substâncias Psicoativas (NSP). Em 2018, esse número dobrou. No CIATox-Campinas, os casos de intoxicação por canabinoides sintéticos, “popularmente conhecidos como “drogas K”, saltaram de dois casos (2016-2022) para dez em apenas cinco meses de 2023.

O projeto desenvolverá um método analítico inovador (LC-HRMS) capaz de detectar NSP desconhecidas. Além disso, dados de apreensões da SPTC serão integrados automaticamente em um banco de dados unificado. E por fim, uma plataforma de inteligência (Business Intelligence) gerará dashboards em tempo real com alertas sobre novas drogas e padrões de consumo.

Com previsão de ser executado em 48 meses, o projeto une pesquisadores da UNICAMP, USP e gestores da SPTC-SP. Como resultado o  conhecimento integrado possibilitará a fundamentação de decisões de saúde e segurança pública e um modelo replicável para outros estados brasileiros.

Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 3 (saúde) e 16 (instituições eficazes), o NSP-Monitor representa uma  co-produção de alto impacto entre a universidade e poder público.